A motivação pode
ser analisada a partir de duas perspectivas diferentes: como impulso e como
atração. Ver o processo motivacional como impulso significa dizer que instintos e pulsões são as forças propulsoras da ação. Assim, necessidades internas geram no indivíduo uma tensão que exige
ser resolvida. Exemplo desse tipo de motivação é a fome: a necessidade de
alimento gera a fome que exige uma resolução através do comer. Apesar de
importantes teorias da motivação, como a de Freud e a de Hull, basearem-se
nessa perspectiva e de ela explicar muitos fenômenos do comportamento, suas
limitações são patentes: a fome em si, para manter-se o exemplo, não determina
se o indivíduo vai escolher comer arroz com feijão ou lasanha; outras forças
estão em jogo aí: o ambiente. E outras formas de comportamento mais complexas,
como o jejum ou ainda o desejo de aprender, entre tantos outros, não se deixam
explicar simplesmente pela resolução de tensões internas. No caso do
aprendizado, por exemplo, o objetivo se encontra num estado futuro, em que o
indivíduo possui determinado saber. Esse estado final como que atrai o
indivíduo - a motivação como atração, como força que
puxa, atrai. Não se pode negar que ambas as perspectivas se complementam e
ajudam a explicar a complexidade do comportamento humano; no entanto, devido às
suas limitações para esclarecer comportamentos mais complexos, grande parte da
pesquisa científica atual se desenvolve no âmbito da motivação como atração.
Uma compreensão da
motivação como força atratora não pode deixar de levar em conta as preferências
individuais, uma vez que diferentes pessoas veem diferentes objetivos como mais
ou menos desejáveis. Um mesmo objetivo pode ser buscado por diferentes pessoas
por diferentes razões: uma deseja mostrar seu desempenho, outra anseia ter
influência sobre outras pessoas (poder), etc. A essas preferências
relativamente estáveis no tempo dá-se o nome de motivos.

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